segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

De Fortaleza a João Pessoa

João Pessoa
25 de janeiro
Então, cá estou eu em João Pessoa. Cidade gostosa, bonita e acolhedora. O hostel daqui, o Manaíra, é super bom. É enorme, camas boas, banheiro idem.

Hostel Manaíra



repentistas em João Pessoa

Igreja de São Francisco

O coco mais oriental das Américas

João Pessoa

Cheguei hoje por volta das 2 horas da madrugada e fui direto pra cama. Depois da soneca, café da manhã e rua com dois parceiros de albergue: Sofia (SP) e Marco (RJ/AM).
Fomos pela praia até o ponto de ônibus que deveríamos pegar para ir ao Farol do Cabo Branco, bem próximo da Ponta dos Seixas - ponto extremo oriental das Américas. No caminho tropeçamos na Estação Ciência, Cultura e Artes, um belíssimo prédio de Oscar Niemeyer. Entramos, é claro. As exposições estavam muito boas e o prédio surpreendendo a cada momento. Depois, uma rápida passada pelo centro histórico – voltarei lá, com certeza. O dia terminou com uma sentadinha num barzinho a beira da praia com espetinhos de peixe na brasa e dois repentistas - JB da Viola e Manuel Alves, a contar causos sobre nós para nós. Ai, ai, que vidinha mais ou menos ...

Estação Ciência, Cultura e Artes

João Pessoa

Caranguejos em João Pessoa


Eis como cheguei até aqui:

Fiquei três dias em Fortaleza no hostel de mesmo nome. Fiz algumas parcerias, alugamos um carro e passamos um dia na Praia de Morro Branco. A praia tem Falésias - paredões de areia que infelizmente, apesar de fazer parte do patrimônio do Ceará, estão sendo devastadas por construções bem próximas. O local é belo. As areias contam com diversas cores. Mais adiante encontra-se a Praia das Fontes.
Praia do Morro Branco

Falésias

Parceiros em Fortaleza
Choveu o tempo todo mas isso não nos impediu de conhecer diversos lugares. Como o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. O prédio, concebido pelos arquitetos Delberg Ponce de Leon e Fausto Nilo foi erguido em uma antiga área portuária de Fortaleza e chama a atenção assim como sua programação. A parte mais legal foi ter almoçado com meu primo Cid que deixou de ser gaúcho e virou cearense. Fazia um tempão que não nos víamos.

Eu e Cid

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

de Barreirinhas até Jeri

Jericoacoara
19 de janeiro



Sei que fiquei um tempão sem dar notícias queridos amigos, mas o fato é que estou vivinha da silva e me divertindo bastante. Obrigada pelos mails cheios de preocupações e muito carinho.

Estou em Jeri, um pouquinho difícil de chegar lá de Barreirinha até aqui. Peguei um 4X4 “de linha” e foi uma longa jornada por “estradas” de areia fofa, dunas e zonas alagadas até Paulino Neves, de lá para Tutóia numa estrada – agora sim, estrada. Em Tutóia peguei um ônibus para Parnaíba pois não tinha mais para Camocim. De lá, um carro, pode ser chamado de táxi com preço fechado do trajeto.

Antes disso tudo, ainda no Maranhão, conheci Alcântara. Fomos várias do hostel, éramos seis, mais nosso guia. Maravilhoso, tanto a viagem de ida e a de volta, assim como o passeio pela cidade.

Depois, Barreirinhas, Atins (velho oeste é pouco, mas o vilarejo é encantador), Barreirinhas novamente e a viagem até Jericoacoara.

Então olha só.

No dia 12, quarta-feira, em São Luis esperamos a maré subir para navegar em nosso possante Catamarã. Estávamos eu, Denise (SP - viajamos juntas depois), Keyla (SE) e Elisabeth (NZelândia e SE) Aninha e Lígia (SãoCarlos-SP) acompanhadas de seu amigo Benê, maranhense que morou muito tempo em Alcântara e estudante em São Carlos. Ele foi nosso guia.
Na ida o motor pifou e ficamos com as velas – funcionou, ainda bem. Para amenizar um pouco a situação, um dos guias que estava ajudando com as velas, o Buscapé (que eu sem querer chamava de Barnabé, acho que ele não gostava), contava causos da região recheados de muito bom humor. Era gargalhada na certa.

Catamarã

Alcântara - rua do Jacaré

Em Alcântara, descemos no porto do Jacaré e subimos a rua de mesmo nome. As pedras do chão formam desenhos de escamas, o desenho da rua é o jacaré.
Benê, na verdade, não é guia, é um antigo morador da região. Entrávamos adentro das casas, coisa que um simples guia não faria. Era bater palmas e pedir licença. Alguns respondiam: -”Como cresceu esse menino. Entrem, entrem” e entrávamos.
O povo daqui é super religioso, na verdade uma grande mistura, candomblé e catolicismo. E isso está em toda parte. Encontramos as ruínas da construção do que seria a casa do imperador, só que sua visita à cidade não aconteceu e a casa não foi terminada. O museu e a igreja estavam fechados, uma pena.

ruínas

A cidade é belíssima e aconchegante, isso sem falar do famoso doce de espécie, que é gostoso que só vendo.
Voltamos ainda sem motor, só nas velas. Ainda bem que tinha vento...
Aninha e Benê tomaram um banho pois ficaram nas redes, na frente do catamarã e, a cada golfada d'agua, a “ducha” era certa.
Buscapé, com suas pontes na boca, por onde entrava bastante vento, continuava rindo e falando sem parar, uma delícia.

Alcântara


De volta a São Luis, à noite, acompanhamos no meio de uma praça, uma apresentação do Tambor Crioula com a dança das mulheres vestindo suas leves e coloridas saias - e rodavam, rodavam muito de modo que as saias formassem um leque cheio de cor. Todas nós fomos convidadas a dançar.

azulejos em Alcântara

No dia seguinte teria uma apresentação de reggae em São Luis, mas partimos (eu e Denise) pela manhã para Barreirinhas, cidade porta dos Lençóis Maranhenses.
Foi como se tivéssemos mel, não passou um segundo e apareceram inúmeras propostas de passeio. Ficamos com apenas um: Conhecer os Lençóis a bordo de um maravilhoso aviãozinho. Como estava tudo seco, sem as piscinas, essa era a melhor opção. E lá fomos... UAU!!!!!!!!
Se seco assim já é deslumbrante, imagina com as piscinas que nessa época havia apenas uma: a dos Peixes.
Fantástico, outro mundo e é monstruosamente grande! Tu te perde nessa imensidão toda. Teus pensamentos vão e voltam de qualquer lugar, pouco importa. O importante é que tu flutua entre uma duna e outra e, depois, o mar, como que coroasse toda essa beleza. É de embasbacar.

rio Preguiças - início dos Lençóis

Lençóis Maranhenses



toalhas secando em restaurante de Barreirinhas

No dia seguinte partimos para Atins. Pegamos um barco “de linha” e subimos o rio Preguiças. Poderíamos ter ido em uma voadeira, ou em um 4X4 “de linha”, mas tudo é muito rápido e queríamos calma, curtir cada volta do rio, sentir a mudança de paisagem, de uma abundante mata até a zona de pantanal e, por fim, vegetação mais rasteira, depois grandes e belíssimas dunas até chegar ao mar.
O passeio durou umas cinco horas, com paradas em Vassouras, com suas enormes dunas, Mandacaru com seu farol, depois Caburé, típica região de turismo e, por fim Atins, um vilarejo bem organizado com praias gostosas.

barco de linha

rio Preguiças - Vassouras

rio Preguiças
Caburé e Mandacaru

Atins tem as ruas cobertas de fina areia, são tão fofas e quentes, que acabei queimando o dedão do pé. Nada muito sério.
Entre 12 e 14 horas não se vê viva alma nas ruas, tamanho a quentura de tudo. Até os cachorros se atiravam numa sombra qualquer com suas patas esticadas o mais longe do corpo que fosse possível.
Ficamos na pousada do Irmão. Ele é conhecido assim pois seu nome é muito esquisito – não disse qual era.
Denise, que já estava gripada, piorou. Mas quer saber? Se tiver que adoecer, que seja num local assim. Fizeram chá de limão, folha vic e eucalipto. Depois feijão, arroz e purê.
O povo de lá é super parceiro.
E o céu a noite? Com pouquíssima luz parece que o céu de lá tem o triplo de estrelas que qualquer outro lugar. É magia pura.
E a praia? O que é rio e o que é mar? Difícil de responder. É um paraíso que raras pessoas conhecem e por isso é magnífico.
Atins

Atins



"Porto de Atins"

Voltamos para a pousada Igarapé, em Barreirinhas numa 4X4 “de linha”- na verdade uma Toyota com uns 10 lugares, fora a cabine. Toda reforçada com barras de ferro, incluindo aí o teto pois, em alguns lugares a vegetação fecha o caminho e a Toyota passa, arrancando os galhos. O caminho, todo arenoso e barrento, que o pessoal daqui chama de estrada. Pulamos tudo que podíamos entre uma duna e outra e batendo muitas vezes no solo duro e molhado. O trajeto durou uns 50 minutos.

estrada

estrada


carro de linha


Barreirinhas

Passamos o domingo na cidade-praia (do rio Preguiças) que estava completamente deserta.
Na segunda, eu e Denise nos separamos. Ela retornou à São Luis e eu segui viagem, fazendo inúmeras baldeações até chegar em Jericoacoara
estrada para Jericoacoara

Jericoacoara

pedra furada

praia de Jeri

caminho de um caramujo

praia de Jeri com chuva na região da pedra furada

albergue Jeri Brasil

o casal de donos do hostel são cearense e mineiro

domingo, 16 de janeiro de 2011

Ainda Maranhão

Barreirinhas - foto da internet

Olá

Tá tudo Ok por aqui. A falta de contato se deve a internet aqui em Barreirinhas não ser muito rápida.
Andei por Barreirinhas e Atins. Isso sem falar do voo sobre os Lençóis e os passeios pelo rio Preguiças. Estou indo para Paulino Neves, Tutóia, Parnaíba, Jijoca e daí Jericoacoara. Tudo numa 4X4 "de linha".....
Assim que der, mando notícias.
Malu

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Maranhão


10 de Janeiro 2011

Cheguei em São Luis dia 10 de janeiro. Esqueci que aqui não tem horário de verão, estava sempre1 hora atrasada. Resolvi arrumar o relógio até porque, quando voltar pro sul o horário de verão se foi (eu acho ...).
Sai de POA no aeroporto Salgado Filho, desta vez terminal 2. Que será isso? Pessoa desinformada eu. Isso é o antigo Salgado.
Sabe quando o salgado é demais? Pois é, nem pãozinho de queijo pra um lanche, muito menos uma banca de jornal. Um muquifo!
Cheguei em SLZ. O aeroporto não é muito diferente daquele “terminal 2”. Peguei minha mochila e sai bela e faceira. Poderia ter pego mais umas duas ou três, ou terem levado a minha. Não existe controle algum. A desculpa é a mesma do “terminal2” - obras. Num determinado horário não chega avião e noutro, chegam todos ao mesmo tempo!!!
Saí de lá rapidinho e fui pegar um TX , e, como chegam todos os voos juntos, chegam todos os passageiros também – e todos também querem um TX. Nem preciso contar aqui quanto tempo fiquei na fila...
Mas cheguei ao Centro Histórico. É lindo e triste. Algumas casas só tem a fachada, outras estão abandonadas e noutras funciona um comercio típico de rua. Ou turistas, ou povo daqui – tô falando de povo, povão – classe popular mesmo!
É óbvio que eles não tem grana pra restaurar e nem para manter as casas. E tá tudo tombado ... e tombando. Mas são de uma beleza ímpar.
O hostel Solar da Pedras é interessante, bonitinho.
Só tem um cheirinho de mofo, coisa pouca. Aliás, todo o Centro Histórico tem este cheiro. E eu, ex-fumante, que sente em dobro qualquer cheiro, sofro. Mas quer saber? Tô de férias e quero curtir tudo de bom que tem por aqui! É claro queridas amigas, principalmente Sil Ávila e Aline Rosa: comprei um baygon que eu tenho um sangue bem docinho e a mosquitana me adora. Desculpa ai meninas pelo furo na camada de ozônio...

Hostel Solar das Pedras

entrada e sqla do café



rua do hostel


São Luis do Maranhão





11 de Janeiro 2011


Olha só o nome da cidade. É pequena, bem cuidada, povo simpático e muito dado. Tem a igreja, a praça e um enorme monumento a São José do Ribamar, padroeiro do Maranhão. Na parte de baixo deste monumento tem o Museu dos Ex-votos que pra quem não sabia, como eu, significa promessa feita, promessa cumprida, portanto ex.
Pegamos uma micro e fomos até a cidade. De SL até lá dá uns 40 minutos. A estrada é muito bonita em alguns trechos,mas em outros ... é como nos estados do norte, um dia teremos a estrada e dos dois lados paredões enormes cercando as propriedades. Nesta região tão bonita teríamos: asfalto+terra+paredões, de uma cidade a outra.

monumento ao padroeiro do Maranhão


São José do Ribamar




No hostel, como era de se esperar, encontrei um montão de gurias bem legais. Muitas de São Paulo e tem também de Natal.
Passei o dia com duas, visitamos Ribamar e a noitinha, saímos em cinco pra um barzinho ao ar livre, numa praça. Aliás, um monte de bares no mercado “feira da praia grande”, com música ao vivo. Chorinho, Lupicínio Rodrigues, Cartola, Paulinho da Viola e por ai vai, uma delícia.
Daí papo vai, papo vem, mudança de roteiro, afinal o vento vive mudando de direção. Amanhã, quarta, 12, vou com duas companheiras de albergue pra Alcântara. É uma cidade histórica e que tem um doce muito especial: o “doce de espécie”. Tem esse nome porque antigamente o coco era uma especiaria então. No dia seguinte vou pra Barreirinhas, próximo aos lençóis. Daí sigo, de cidade em cidade, passando o rio Preguiça, pelo delta do rio Parnaíba e chegando, dia 17 a Jericoacoara – ufa!
Ainda em SL: Uma coisa interessantíssima, que eu tinha ouvido falar, mas nunca visto é a vazante. As águas cedem espaço para a lama e isso é muito extenso. Os barcos no cais ficam literalmente atolados enquanto a maré está baixa (pra mim a maré se foi). Sobe aos poucos e é incrível de ver.
Outra é esta feira da praia grande, que na verdade é um mercado que ocupa um quarteirão inteiro, com formato circular no centro. É a antiga “casa das tulhas”, um celeiro de mercadorias.
São Luis é muito bonita e o povo também. É claro, tem problemas como toda cidade: assaltos, drogas, bebida, e por ai vai. Isso tuso somado ao descuido da prefeitura com o povo daqui e com o “patrimônio da humanidade”, material e imaterial. Mas vale muito a viagem.
Nesta terra tem o doce de espécie, arroz de cuxá, que dizem, dá pra se lambuzar e azulejos, muitos e belos. Ainda não tomei o guaraná jesus, mas vou. Tem lá no Pará também.

maré

feira da praia grande

doce de espécie na feira da praia grande

domingo, 2 de janeiro de 2011

Nordeste

Eis chegada a hora de conhecer mais um pouco deste “pedacinho” do Continente Americano chamado Brasil.
Desta vez, Nordeste.
Mas não o Nordeste turístico.
A ideia é passar um tempinho em dois Estados: Maranhão e Paraíba e uns dias no Ceará. Também vou conhecer mais quatro albergues e acho que vale a pena, afinal são da juventude, não é?
Claro que também visitarei outros, entre idas e vindas no mesmo dia, mas com uma condição: nada de aglomerações e grandes agitos. Pra isso tem Tramandaí por aqui...
Vou por BH e volto pelo Rio. Nunca tem voo direto daqui do Sul.
Então até o dia 10 de janeiro! Me acompanhe.